domingo, 27 de novembro de 2011
Pilares Freirianos na EAD
A esperança de ser um dos agentes no processo de melhoria da educação, assim como acreditar e ter fé que o seu trabalho pode modificar vidas e que os seus alunos são capazes de transformar as suas realidades a partir de uma educação de qualidade baseada no companheirismo, esforço, dedicação, disciplina e pensamento crítico, é o que move a educação e o que permite que a mesma perdure apesar do alto índice de evasão escolar, alunos com deficiências sérias em sua formação educacional, problemas estruturais e diversos outros problemas comumente encontrados nas escolas e universidades públicas do Brasil.
Devido a um histórico de descaso político com a educação pública, hoje nos deparamos com alunos com má formação educacional, professores mal remunerados, colégios e universidades com sérios problemas estruturais e uma massa de jovens, alunos e professores, desmotivados e desesperançosos com os rumos do país e de suas próprias vidas.
Como tutor de EAD, diversas vezes acompanhei alunos com graves problemas de aprendizados em matememática e português, laboratários de física inadequados, professores mal formados e sem compromisso, prédios com problemas estruturais e outras mazelas peculiares à nossa realidade. Acreditar no que faz, ter respeito e compromisso com os seus alunos, e agir com humildade, faz com que os seus alunos se aproximem de você e deixem transparecer suas dificuldades, medos e incertezas e lhe permite trabalhar com ênfase nas dificuldades da sua turma.
Gostaria de citar dois exemplos gratificantes que tive no ensino semi-presencial. Quando fui dar aula no pólo de Quiterianópolis, a quase totalidade da minha turma era formada por alunos de baixa renda e sem acesso a educação de qualidade nos ensinos báscicos, fundamental e médio. Pude perceber as dificuldades da turma logo no início, pois muitos não sabiam somar frações, calcular potências mesmo usando calculadora, fazer operações aritméticas básicas e cometiam muitos erros de português nas postagens nos fóruns. Percebendo as dificuldades, perguntei quais as dúvidas deles e comecei a fazer uma revisão básica de matemática. No entanto, muitos tinham vergonha de falar sobre suas deficiências e não participavam da aula por baixa estima e não acreditarem serem capazes de aprender. Foi aí que resolvi parar a aula e conversar sobre a realidade deles, sobre educação do país, política, perspectivas, desafios e superação. Coloquei-me a disposição e deixei claro que acreditava na capacidade e superação deles. Deixei claro que a diferença do tutor(eu) para eles era somente de alguns anos de faculdade a mais, mas que num futuro breve eles estariam no meu lugar de tutor dando continuidade ao processo educacional. Disse que o meu objetivo é que eles fossem professores e alunos bem melhores do que fui e sou e que acreditava e trabalhava para que isso se tornasse realidade. Claro que com essa conversa não consegui acabar com todas as dificuldades dos meus alunos, mas consegui injetar uma boa dose de ânimo, empolgação e de auto-estima. Tive a oportunidade de trabalhar com a mesma turma um semestre depois pude ver melhoras na matemática, na escrita, e principalmente na mentalidade da turma.
Um outro momento gratificante, foi quando trabalhei no pólo de Camocim. Rapidamente me aproximei da turma e tive uma relação de professor e amigo dos meus alunos. Isso facilitou demais o meu trabalho, pois os alunos se sentiam a vontade em falar sobre as suas dúvidas e se empenharam ao máximo na disciplina. Tive contato mais próximo com dois alunos. Um deles tinha sido cortador de cana até os 16 anos, e o outro era filho de pescador. Os dois eram ótimos alunos, esforçados e inteligentes, faltando apenas um suporte científico formal. Após as aulas, passava um tempo conversando sobre Física, pesca e outras coisas com os dois. Dei dois livros de Física e umas dicas aos dois sobre faculdade, mestrado e alguns experimentos de Física. Espero ter a oportunidade de trabalhar com eles novamente!
Acredito que, em alguma instância, o que move essa roda gigante, chamada educação, de altos e baixos, alegrias e frustrações, é o amor. Esse amor é o que nos permite sonhar com uma educação de qualidade na nossa sociedade tão egoísta, corrupta, doente e com um panorama educacional tão desolador.
Abraço,
Pablo
Os Pilares de Paulo Freire
Caro Fabrício e demais colegas tutores, Paulo Freire é bem mais do que um pensador da Educação: ele é, sem sombra de dúvidas, um pensador de toda a Humanidade. No meu entendimento, os ensinamentos freirianos são voltados à uma sociedade saudável e não doente como a nossa. Embora eu não concorde com todo o romantismo implícito na visão freiriana da educação, vamos nós:
- Amor:
Renato Russo, na música Monte Castelo, parafraseando Camões, diz: “Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.” Dentre todos os sentimentos, é o mais nobre. O professor cujo fazer educacional tem como alicerce tão importante sentimento é feliz, pois faz do seu ato profissional um caminho para a sua satisfação pessoal. Admito que eu ainda trabalho por amor, dentro de minhas limitações humanas. Procuro envolver-me em minha prática educação de corpo e alma.
- Humildade
Devemos ser humildes, enquanto professores, no que diz respeito ao fato de estarmos sempre aprendendo em nossa atuação educação. Ninguém é dono ou detentor de toda a sabedoria do Universo. Sou partidário da idéia de que quem ensina está sempre a aprender. Lembremo-nos do slogan da Unfor: Ensinando e Aprendendo. No entanto, ao ser humilde, o professor não deve despir-se das idiossincrasias próprias ao papel de professor que está desempenhando.
- Fé nos Homens
O professor sempre deve partir do princípio de que o aprendizado é uma troca estabelecida entre ele e seus alunos fundamentada na boa-fé. Os alunos devem dar crédito ao que o professor lhes ensina, bem como o professor deve acreditar no fruto do aprendizado adquirido por seus alunos. Minha prática educacional é alicerçada na confiança que tenho no meu trabalho e na capacidade que os meus alunos têm de aprenderem o que lhes ensino. Desconfiar dos atos de um aluno, só quando ele não confia em mim e age sempre no objetivo de quebrar essa relação de confiança, de cumplicidade, por assim dizer.
- Pensar Crítico
Dentre os ensinamentos que um professor deve oferecer aos seus alunos, vem em primeiro lugar. O professor deve ser capaz, seja lá em que modalidade de ensino for, seja lá qual for a disciplina ministrada, de provocar seus alunos o senso de criticidade, para eles possam relacionar o conhecimento adquirido com a sua realidade presente. Se essa visão crítica não é despertada, o professor reduz-se, ativamente, a um repassador de conhecimento e, o aluno, passivamente, a um absorvedor deste conhecimento. Na minha prática educação, gosto de fazer indagações aos meus alunos de modo a despertar-lhes a visão crítica do conteúdo em estudo.
- Esperança
Todo o trabalho do professor, sendo agente transformador e formador que é, deve estar voltado para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Na esperança de que esse objetivo seja alcançado, o fazer educacional deve vestir-se de amor, humildade, fé nos homens e pensar crítico. Ninguém ensina nem ninguém aprende algo se não objetiva, com fé e esperança, obter melhorias em sua vida, seja nos aspectos material ou espiritual.
Batendo um Papo
Bater um papo é, antes de tudo, a comunicação que fazem entre si duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Assim, para que essa comunicação seja positiva e surta os efeitos dela exigidos, é importante que o professor-tutor tenha alguns cuidados antes, durante e após o tempo em que ela durar, dentro os quais destaco:
Antes:
- Avisar aos alunos sobre o horário em que ocorrerá a sessão;
- Limitar a quantidade de alunos por sessão para que o bate-papo não vire uma verdadeira Babel do aprendizado.
Durante:
- Estabelecer regras básicas de comunicação, tais como: cada participante do bate-papo deve respeitar as opiniões dos demais, mesmo que não concorde com as mesmas, e dos colegas exigir respeito às suas opiniões; cada tema será discutido de modo que todos tenham esgotadas suas dúvidas.
- Pautar o tema da discussão, dando-lhe um seguimento lógico e compreensivo à aos questionamentos.
- Estimular a interação entre os integrantes durante o bate-papo, fazendo com que cada aluno dê sua própria opinião em relação aos posicionamentos dos demais colegas.
Após
- Disponibilizar o histórico das discussões, caso haja a necessidade de que algum dos alunos queira questionar posteriormente um ou outro ponto discutido.
Pilares
Analisando os cinco pilares de Paulo Freie, posso falar que já me deparei com todos em minha atividade de tutor. Acredito que não tem como deixar de usar humildade, amor, pensar crítico, fé nos homens e pensar crítico somente na educação, mas em todos os apectos de nossa vida.
Quero relatar um fato de um aluno que tive nas linhas que se seguem.
Acredito que muitos de nós tutores teve/tem alunos com pouca condição financeira. Comigo não é diferente. Tive um aluno que certa vez vi um brilho em seus olhos atentos às minhas aulas. O mesmo é pescador. Possui uma filha, cuja mãe abandonou, que cuida junto com a avó (mãe do meu aluno).
Certo dia, cheguei um pouco cedo no local a qual daria aula e esse aluno já me esperava. Começamos a conversar sobre os diversos assuntos, dentre eles, como se pesca lagostas com as chamadas gaiolas. Percebi que a sua realidade nada tinha a ver com educação. Depois de muito conversar, tive a curiosidade de saber porque o mesmo fazia uma faculdade de física. Ouvi seguinte resposta: "Professor, tenho uma filha pra cuidar. Com a pesca, não posso oferecer mais do que tenho hoje a minha filha. Acredito que com o estudo possa oferecer algo a mais do que tenho hoje." Foi marcante e me fez pensar em todas as besteiras que reclamo em minha vida.
Tive a oportunidade de comer lagosta em sua humilde, mas aconchegante e feliz casa. Sua mãe, com um português limitados aos vícios de seu vilarejo, foi uma das pessoas mais simpáticas e prestativas que conheci. Apesar da dificuldade de todos, parecia que os problemas são de todos. Todo mundo ajuda todo mundo. Vi um pescador segurando duas grandes lagostas as quais seriam entregues a uma família que não era a sua.
Na varanda de sua casa, olhando para o mar cheio de jangadas, ele tivara algumas dúvidas sobre técnicas de integração. Interessado, ficamos um bom pedaço conversando sobre matemática.
Nessas atitudes, vejo que eu poderia ter FÉ naquele homem, devo ter AMOR para com a minha profissão, PENSAR CRíTICO nas desigualdades que nos cercam, HUMILDADE para perceber que existem pessoas que fazem vale a pena e que são melhores do que nós em certos aspectos e ESPERANÇA que ainda existe a chance de um mundo melhor.
sábado, 26 de novembro de 2011
Os pilares de Paulo Freire
Amor: é um pilar primordial para dedicação da vida profissional, seja qual for a profissão.
Humildade: esse pilar é necessário em qualquer situação, pois é preciso respeitar e aceitar a opinião do outro. Essa virtude caracteriza a consciência das próprias limitações e simplicidade.
Fé nos Homens: Credibilidade que deve ser dada ao próximo.
Esperança: Devemos confiar nos sentimentos de quem vê como é possível a realização daquilo que se deseja alcançar.
Pensar Crítico: Capacidade de compreender e argumentar os fatos que acontecem ao seu redor.
Em qualquer modalidade de ensino é preciso contemplar esses pilares. Na EaD o tutor investe na construção mútua de respeito e confiança, buscando dispertar maior interesse nos conteúdos, visando a superação dos obstáculos encontrados pelo aluno.
O diálogo é um elemento que faz parte de qualquer modalidade de ensino, possibilitando troca de idéias, discurssão de ponto de vista e contribuindo para um saber compartilhado.
Na EaD o uso das tecnologias proporciona um diálogo mais atrativo, utilizando chat, e-mail , bate papo, etc.
A prática pedagógica na qual trabalho não inclui o ato de apenas transmitir conhecimento, pelo contrário ela estabelece um elo do conhecimento exixtente produzindo novos conhecimentos fundamentado nos pilares de Paulo Freire.
Caucaia 26 de Novembro de 2011.
Meire Simone
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Minha Agenda
No momento estou afastada da tutoria, pois cuido dos meus pais que são idosos e precisam de cuidados especiais. Pretendo, em 2012, voltar a atuar da UAB.